sábado, 7 de julho de 2018

Como todo brasileiro com mínima consciência de si próprio sabe nesse momento, o Brasil foi eliminado nas quartas de final da Copa de 2018, pela Bélgica. Não estou aqui para avaliar o jogo e prover comentário detalhado a respeito do que deu errado, nesse momento há toneladas de artigos em todos os cantos das internetes apontando erros e buscando culpados. Eu, particularmente, acho que o Brasil jogou bem, mas os erros que cometemos, principalmente no primeiro gol, contra, foram demais para que recuperássemos o jogo. Até porque a Bélgica jogou muitíssimo bem e soube marcar o ataque brasileiro. Enfim, perdemos, numa fase avançada da copa e contra um dos times favoritos, a tal "geração de ouro belga". Times supostamente melhores caíram mais cedo contra times piores. Acontece no futebol.

O problema, e a razão porque estou aqui escrevendo e desabafando, é que todos agora buscam culpados e se começa a exigir que cabeças rolem e é questão de tempo até que CBF anuncie um novo técnico para a seleção, porque é sempre a cabeça do técnico que rola nesses casos. E eu acho que seria um erro trocar o Tite. Brasil jogou bem sob seu comando, inclusive saiu de uma posição ruim, em que estava às beiras de não se qualificar para o mundial, para terminar em primeiro do grupo nas eliminatórias. Ele conseguiu formar um time coeso e, talvez sem os desfalques que tivemos por cartões e lesões, tivesse ganho o jogo contra a Bélgica. Talvez. Não gosto de especular assim porque não vai a lugar nenhum nem muda a realidade do que ocorreu.

Meu ponto é que precisamos de continuidade. O Brasil sempre tem dessas, de mudar de técnico toda vez que as coisas vão minimamente mal, essa constante quebra de continuidade. Não temos uma geração de Ronaldos e Ronaldinhos e não teremos antes da próxima copa, pois quatro anos é pouco para surgir alguém assim. Temos que contar com o coletivo forte, algo que o Tite soube montar. Uma seleção que continue com o Tite pelos próximos quatro anos é uma seleção com tempo para fortalecer essa coesão, integrar bem novos jogadores que venham a substituir quem não continue, e que vai ter mais chances de apresentar um futebol forte em quatro anos. É o que a Alemanha fez e a levou ao seu tetracampeonato em 2014.

Mas a CBF é uma instituição totalmente corrupta, cujo objetivo não é elevar o futebol brasileiro ao seu maior potencial, infelizmente. Então é provável que muito em breve Tite não seja mais técnico da seleção. Bom para o time que o contrate em seguida, ruim para o Brasil.

E em 2022 estaremos todos torcendo juntos de qualquer forma.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Meses atrás houve um acidente numa rua perto de casa, num viaduto que passa sobre as linhas de trem, uma dezena de metros abaixo. Acidente terrível, um carro atingiu a moça e a jogou sobre a cerca para sua morte, onde a encontraram ainda viva. Morreu a caminho do hospital. A polícia deixou um aviso pedindo informações a quem as tivesse. Não sei se chegaram a saber quem era o motorista.

Alguém, imagino a família, colocou flores, de plástico, e um porta-retratos com uma foto da moça, numa parte da cerca que é dessas de arame. Fica no meu caminho para o ponto de ônibus, todos os dias passando pelas flores e pela foto da jovem sorridente.

Com o passar dos meses, exposta ao sol, ao clima, a foto se foi apagando lentamente, se tornando sépia a princípio, rosada, branca, até desaparecer de vez. Um análogo das memórias dela, talvez. Aos poucos esquecida por todos assim como a foto desaparecia. Quem passasse ali após a remoção da placa da polícia poderia somente inferir o ocorrido, sem saber para quem ou o que eram as flores, a moldura exibindo um fundo vazio.

Pensando sozinho nas idas e vindas, não pude deixar de fazer o paralelo com nosso universo vazio e seu inevitável fim, a futilidade de todas as coisas, e estava preparado para escrever algo bem sombrio aqui.

Mas alguém colocou novas fotos no porta-retrato.
 
 

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Começando


Eu fiquei um bom tempo pensando sobre o que escrever nesse blog. Não nessa primeira postagem especificamente, mas no blog como um todo. Arrumei a conta no Blogger, acertei a página, briguei com a falta de nomes de domínio decentes disponíveis após vinte anos de existência do serviço. Isso ao longo de um mês ou mais, e em todo esse tempo pensando no que escrever. Deveria me ater a um tema ou assunto específicos? Às vezes me preocupo escrever algo que tenha uma função certa, num apego meio tolo a um utilitarianismo que talvez não caiba aqui. Penso então em escrever sobre ciência, mas a síndrome de impostor bate imediatamente. Ou escrever sobre política, mas me deparo com meu limitado entendimento por não ser da área e acho que não devo palpitar. Então volto à ideia original que me motivou a fazer um blog, de escrever contos e ficção, mas penso que ninguém vai querer ler isso, ao menos não de alguém que não sabe escrever. E pensando tanto nisso cheguei à solução ideal, que não envolve simplesmente não escrever em um blog público:

Foda-se.

Vou escrever sobre ciência porque sou cientista e às vezes tenho vontade de falar sobre isso.

Vou escrever sobre política porque me importo e me envolvo e quero falar a respeito.

Vou escrever contos e ficção porque gosto.

E vou escrever tudo aqui independente de leitores, porque no fim estou escrevendo mesmo é para mim. Para colocar tudo isso pra fora em algum lugar mais útil que folhas soltas numa gaveta.